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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Portugal derruba Holandeses por 2-1

Cristiano Ronaldo, guardador de sonhos e almas
A Bola de Ouro, as chaves para o Paraíso, sete virgens. Ofereça-se a Cristiano Ronaldo o que o homem desejar. Genial, diabólico, português! Dois golos soberbos, assistências deslumbrantes, comprometimento budista com a causa maior. Portugal está nos quartos-de-final do Euro2012 e tem o melhor jogador do torneio na linha da frente.

Cristiano Ronaldo, senhores. Tão criticado há quatro dias, venerado nesta crónica. A reação às palavras duras foi perfeita, exemplar. Não só pelos golos, insistimos, mas pela nobreza de virtudes e intenções colocada nos 90 minutos do jogo.

Frio, assassino, ao disparar o passe sublime de João Pereira no primeiro golo; tranquilo, genial, ao segurar a bola vinda de Nani, a saudar o pobre Stekelenburg e a acometer a nação laranja de um desmaio coletivo sem precedentes no segundo. Ronaldo chegou atrasado ao Euro2012 e com vontade de compensar todo o inconveniente causado pelo atraso.

Uma história bonita, uma narrativa heroica escrita pelo punho de Paulo Bento e companhia.

Nem é bom lembrar o sofrimento imposto pela Holanda nos primeiros 15 minutos; diabo leve para terras de ninguém o golo madrugador de Van der Vaart e abençoe as duas oportunidades falhadas pelos orange boys no final.

Venha daí a Rep. Checa, algoz inclemente no Euro-96.

FICHA DE JOGO E AO MINUTO

Ronaldo, já se percebeu, foi brilhante. Sim, totalmente. E o que escrever do enorme João Moutinho, do insustentável Nani, dos graníticos Pepe e Bruno Alves? O conjunto nacional foi mais equipa do que nunca, teve altruísmo, dignidade, ambição.

O período seguinte ao golo holandês é, por exemplo, um massacre. Antes de Ronaldo empatar, a Seleção Nacional falhou uma, duas, três vezes oportunidades mais do que claras. Tudo corrigido a tempo, tudo metido num canto escuro deste texto, para disso nos olvidarmos.

Não há passado que torture, memória seletiva que apunhale, registo histórico que nos estremeça. Portugal só tem de se preocupar em amar o presente, dele fazer parceiro até ao limite.

Tão ao limite como a existência alienada de Keith Richards, tão ao limite como a carreira dos seus Stones. Um presente com futuro assegurado, pois.

Um a um: a análise aos portugueses

Desde cedo se percebeu que a Holanda ousava ser gigante e esquecia o barro que calçava nos pés. A qualidade de Van Persie, Van der Vaart, Sneijder e Robben não ecoava na defesa.

Os banais Mathijsen e Vlaar nunca lidaram com o tempo e o espaço circundantes, os imaturos Van der Wiel e Willems soçobravam numa fragilidade comovente diante da dimensão plena de Cristiano Ronaldo e Nani.

Adivinhava-se um Portugal demolidor, um Portugal ganhador. A defesa funcionava, o meio-campo servia os intentos do conjunto e Hélder Postiga jogava como complemento às diatribes dos colegas de setor.

Vários contra-ataques viperinos, deambulações extraordinárias e um guarda-redes laranja a adiar até ao impossível aquilo que se anunciava em pompa e circunstância.

Até Cristiano Ronaldo se lembrar que o presente não é para adiar, é para usufruir. I can't get no Satisfaction. Queremos mais!

Entreguem-lhe o Céu e a eternidade. Ronaldo é nosso, o Euro2012 pode ser dele.

Leia também:

A análise individual aos holandeses
in Mais Futebol

Alemanha elimina Dinamarca

Gestão alemã para o pleno e uma Dinamarca sem capacidade para contrariar o adeus.


Mesmo a gerir o esforço e os riscos (que eram poucos), a Alemanha conseguiu o pleno de vitórias no Grupo B do Euro2012. Um golo de Lars Bender, a novidade no onze germânico, derrotou uma Dinamarca que fez pouco para estar nos quartos de final.

As poucas oportunidades criadas pela seleção de Morten Olsen surgiram de bola parada. Mesmo com uma postura relaxada durante grande parte do jogo, a seleção alemã conseguiu superiorizar-se e marcou encontro com a Grécia.

Alimentar a esperança de bola parada

As contas alemãs eram as mais fáceis, à partida para esta última jornada, mas ainda assim a equipa de Joachim Löw assumiu o domínio do jogo logo na fase inicial. A «Mannschaft» até podia ter chegado bem cedo à vantagem, não fosse o duplo desperdício de Müller. Com o número 13 nas costas, o avançado apareceu duas vezes em excelente posição ao segundo poste, após cruzamentos da esquerda, mas primeiro atirou por cima (3m) e depois permitiu a defesa do guarda-redes (6m).

Infeliz na finalização, Müller esteve bem melhor a «fabricar» o golo de Podolski, aos dezanove minutos. Na sequência de um lançamento lateral, o jogador do Bayern segurou bem a bola na área, de costas para a baliza, e depois encontrou espaço para o cruzamento rasteiro. Gomez não conseguiu o desvio, mas logo atrás apareceu Podolski, a comemorar a 100ª internacionalização.

A Dinamarca respondeu apenas cinco minutos depois, de bola parada, repetindo um canto que já tinha experimentado na fase inicial da partida. A bola foi colocada em «balão» ao segundo poste, à procura da altura de Bendtner, e este amorteceu para a confusão, onde apareceu Krohn-Deli a finalizar.

A equipa de Morten Olsen deixou então a sensação de querer mandar no jogo, mas sem grande capacidade para o conseguir em ataque organizado. Mesmo que entretanto tenha chegado a notícia do golo do empate de Portugal, frente à Holanda, que voltava a afastar a Dinamarca dos quartos de final.

A Alemanha voltou a estar perto do golo nos instantes finais da primeira parte, mas revelando alguma displicência na finalização. Gomez e Khedira desperdiçaram boas ocasiões, antes do descanso.

No duelo das novidades foi Bender a decidir

A etapa complementar começou praticamente com um remate de Jakob Poulsen ao poste, naquela que foi a única jogada de perigo que a Dinamarca construiu de bola corrida, protagonizada pelo médio promovido à titularidade por Morten Olsen. Pouco, para quem lutava pelo apuramento até ao último minuto.

Após este lance ambas as equipas adotaram uma postura mais passiva, à espera de mais notícias de Kharkiv. Foi já depois de consumada a reviravolta de Portugal, no outro jogo, que a Alemanha conseguiu também o golo da vitória. Lars Bender, a única novidade no «onze» de Joachim Löw, foi ao ataque garantir a terceira vitória alemã.

Pouco antes ficou por marcar uma grande penalidade a favor da Dinamarca, por puxão de Badstuber a Bendtner, mas a verdade é que a Dinamarca fez pouco para estar nos quartos de final.

in MaisFutebol

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Espanha goleia Irlanda por 4

Espanhóis ganham no relvado, irlandeses goleiam nas bancadas. Foi lindo e valeu a pena.

A Espanha estreou-se a ganhar no Euro 2012: mas fez mais do que isso, apresentou-se em todo o seu esplendor. Depois de um primeiro jogo mais cinzento do que o habitual, no qual a Itália soube neutralizar boa parte do encanto espanhol (como o empate traduz, aliás), a Espanha entrou no Euro.

Chegou, disse boa tarde, como gente bem educada que é, e começou a jogar futebol: a trocar a bola, a subir no terreno em progressão curta, a provocar constantes jogadas na área adversária e a ameçar construir uma goleada. Enfim, mostrou-se como é: a principal candidata ao título europeu, claro.

VEJA AQUI OS GOLOS DO JOGO

Pedro Proença teve por isso um jogo tranquilo e a muito frágil Irlanda tornou-se ainda mais frágil. Fez, por exemplo, o primeiro remate do jogo na segunda parte: Robbie Keane obrigou Casillas a boa defesa. De resto, foi ela própria: correu, lutou, quis fazer boa figura, mas nunca foi real oposição.

A formação de Trapattoni voltou a perder, tal como tinha feito com a Croácia, voltou aliás a sofrer quatro golos, já leva oito em dois jogos e por isso está naturalmente eliminada. Sobra-lhe mais um jogo, na última jornada, com a Itália. Ela que foi de uma fragilidade verdadeiramente atroz.

Confira a ficha de jogo

Tal como tinha feito com a Croácia, entrou no jogo a perder. Logo no primeiro remate, Torres colocou a Espanha a ganhar. Ele que ganhou a bola perante um muito lento Dunne para finalizar com um remate forte. A partir daí os jogadores irlandeses sentiram-se vir abaixo. Só deu Espanha.

Fernando Torres ficou muito perto, logo a seguir, de fazer o segundo, Iniesta obrigou Shay Given a grande defesa, Xabi Alonso atirou ligeiramente por cima da barra, Xavi e Arbeloa fizeram brilhar outra vez o guarda-redes. Shay Given foi aliás o melhor da Irlanda e evitou uma goleada bem pior.

Veja como vivemos o jogo

A primeira parte chegava por isso ao fim com uma vantagem mínima que escondia a enxurrada de futebol espanhol. Sempre, lá está, através daquele jogo de posse de bola, de recebe e toca, foge à marcação, volta a receber no espaço vazio e vive feliz assim, em toda a largura do terreno de jogo.

A segunda parte trouxe mais do mesmo: a Espanha entrou a marcar, num grande golo de David Silva que colocou a bola por debaixo das pernas de um adversário bem junto ao poste, e Shay Given continuou a brilhar, ele que parou remates de Arbeloa e sobretudo Xavi: se calhar a defesa do Euro!

CONFIRA AS CONTAS DO GRUPO C

A Irlanda tentava sair da defesa, importunar Casillas, estender enfim o jogo no terreno, mas dois cruzamentos mal medidos e o tal remate de Robbie Keane de que já se falou foi o melhor que conseguiu fazer. A Espanha, essa, fazia entrar Javi Martinez, Carzola e Fabregas e não baixava o ritmo.

Outra vez Torres, após passe de David Silva, e o recém entrado Fabregas, também a passe de David Silva (duas assistências e um golo), concretizaram a goleada que reflete o massacre a que se assistiu em Gdansk. Um massacre que diz tudo sobre a Espanha. Mas não diz tudo sobre o jogo.

Falta falar de algo incomparável: o adepto irlandês. O Maisfutebol já o tinha elogiado na estreia, mas não chega: são qualquer coisa de excecional. Mesmo sendo atropelados e goleados, nunca deixaram de cantar, fazer a festa e sorrir. Vivem o futebol com ele deve ser vivido: como um jogo.

A Irlanda pode ser goleada no relvado, mas ela é que goleia nas bancadas.

in Mais Futebol

 

Itália e Croácia: Um ponto a premiar a arte mútua

 Nível altíssimo, futebol luminoso, estilo Renascentista. Nada mais justo do que o empate para Itália e Croácia, duas seleções com prazer pelo futebol de ambição e conquista.

Este Grupo C, que ainda inclui Espanha e Irlanda, tem tudo para ser decidido em pormenores. Os golos marcados à seleção de Giovanni Trapattoni podem fazer toda a diferença.

Perdoem-nos o cliché, mas este foi um jogo de duas partes radicalmente distintas. Na primeira, o arquiteto Pirlo assumiu a condução da partida, engendrou linhas de passes perfeitas e abriu o marcador na transformação perfeita de um livre direto.

Numa defesa de três homens (Bonucci, De Rossi e Chielini), a Itália optou por povoar o meio-campo e desmembrar a partir dessa zona do terreno a filosofia romântica dos croatas.

Luka Modric não teve bola, Rakitic foi isolado por segurança, Mandzukic e Jelavic não apareceram uma única vez.

FICHA DE JOGO E NOTAS

Balotelli e Marchisio tiveram o golo nos pés, Stipe Pletikosa fez duas defesas milagrosas e a diferença mínima permitia manter a Croácia dentro da discussão do jogo. Assim foi.

A segunda parte extremamente conseguida dos balcânicos, numa atitude de rock n¿roll tanto ao gosto de Slaven Bilic, rendeu justos encómios e proveitos assinaláveis.

Nos últimos 15 minutos, aliás, já depois do poderoso Mandzukic ter aproveitado um lapso de Chielini para empatar, a Croácia até esteve muito mais perto de chegar ao triunfo.

A Figura e a Revelação: Pirlo e Modric

O ascendente mudou de lado, a perfídia vestiu-se de croata, Cassano e companhia desapareceram por completo do jogo. O experiente Antonio Di Natale não foi capaz de dar à equipa o que dera diante da Espanha e a última imagem, a que perdura, é a de uma Itália em sofrimento e a de uma Croácia sorridente e disposta a mais minutos de competição.

Se a Espanha derrotar a Rep. Irlanda, como é sua obrigação, a última jornada será explosiva. Os croatas precisarão, pelo menos, de um empate contra a La Furia Roja e a squadra azzurra tem de fazer muitos golos à seleção do velho Trap.

Nota de rodapé: a qualidade futebolística mantém-se muito alta. Há futebol do bom na Polónia e na Ucrânia.

in Mais Futebol

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Novos Equipamentos

  • FC Porto
A revelação é de um blogue francês, que divulgou imagens do (suposto) primeiro e segundo equipamento do FC Porto, confirmando-se que a camisola alternativa é de cor roxa, repetindo o que sucedeu em 2003/04, ano em que os dragões venceram a Liga dos Campeões.

O FC Porto apresentará a versão 2012/13 dos seus equipamentos numa cerimónia antes do jogo de apresentação do plantel, como habitualmente.











  • Benfica
Já circulam na internet os supostos novos equipamentos do Benfica para a próxima época, com destaque para o regresso à camisola preta no traje secundário.

É o regresso do preto à camisola alternativa “encarnada”, tal como no ano do último título (2009/10), apesar de, nesta época, as duas riscas diagonais serem substituídas por uma única faixa vermelha ao nível do peito.

Na camisola principal, são poucas as alterações relativamente à última época. Nota igualmente para o regresso às três estrelas por cima do símbolo e também para a gola, que não existia no equipamento anterior.





in Login.Live


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alemães em força sobre a Holanda


Mário Gomez decide outra vez o jogo a favor dos germânicos: apontou os três golos da seleção de Joachim Low neste Europeu. Portugal salta para o segundo lugar.

A Alemanha aproveitou a chegada atrasada da Holanda ao jogo para construir uma vitória justa, adequada e que chegou a ameaçar terminar em goleada. A formação de Joachin Low dominou por completo a primeira parte, fez dois golos e teve oportunidades para marcar mais dois ou três.

A Holanda era por esta altura uma caricatura da candidata ao título. Tinha mais bola, é certo que sim, mas todas as inteções ofensivas morriam prematuramente. Sem capacidade de explorar as alas, por exemplo, tentava entrar em combinações pelo centro que não chegavam à zona de finalização.

VEJA AQUI OS GOLOS DO JOGO

Manuel Neuer só teve de se aplicar uma vez, logo aos seis minutos: no primeiro remate do jogo, Sneijder isolou Van Persie que rematou para defesa do guarda-redes alemão. A partir daí só deu Alemanha: Ozil obrigou Stekelenburg a grande defesa e Gomez abriu o marcador aos 23 minutos.

Foi um excelente movimento dos germânicos, que começou num grande passe de Schweinsteiger a isolar Mario Gomez, o avançado dominou com uma rotação perfeita e finalizou na cara do guarda-redes. O golo fez tremer ainda mais a insegura Holanda e acentuou a superioridade da Alemanha.

Confira a Ficha do jogo

Mario Gomez, por exemplo, chegou por pouco atrasado para o desvio após cruzamento de Muller e Badstuber falhou uma oportunidade clara depois de um buraco encandaloso da defesa holandesa na sequência de um canto. Ameaçava-se o segundo golo que surgiu logo a seguir: outra vez Gomez.

O avançado voltou a receber de Schweinsteiger e finalizou num remate cruzado fortíssimo, que deixou Stekelenburg sem hipóteses. No final Gomez voltou a ser o homem do jogo, ele que já lidera a lista de melhores marcadores com três golos, todos os três golos que a Alemanha fez neste Euro.

Antes do intervalo um livre de Schweinsteiger ainda obrigou Stekelenburg a boa defesa, pelo que o resultado ao intervalo só pecava por escasso. Bert van Marwijk tinha de fazer alguma coisa e colocou Van der Vaart e Huntelaar logo no regresso: saíram Van Bommel e o inexistente Afellay.

Recorde como vivemos o jogo

A Holanda tornava-se mais ofensiva, colocando Van der Vaart na organização, encostando Sneijder à esquerda e juntando Huntelaar e Van Persie na frente. Boas intenções que pouco acrescentaram de início: Hummels, por exemplo, correu metros e disparou forte, Stekelenburg agarrou a dois tempos.

O jogo mudou apenas na última meia-hora: Robben recebeu um cruzamento a meia altura para disparar forte, de primeira, para grande defesa de Neuer e a Holanda acordou finalmente para o jogo. À posse de bola somou-lhe capacidade de remate, pelo que encostou a Alemanha às cordas.

Todos os jogos e resultados do Grupo b

Sneijder rematou fortíssimo a centrímetros do poste, Robben dominou bem de peito mas rematou ao lado e Van Persie, por fim, diminuiu a desvantagem: assistência de Robben e o avançado a rematar colocado para o fundo da baliza. Faltava um golo para o empate e a Holanda insistia no ataque.

Até ao fim, porém, o jogo não mudou e a seleção de Van Marwijk somou a segunda derrota em dois jogos. No domingo defronta Portugal, que com este resultado fica em segundo lugar do Grupo B. Precisamos de ganhar, sendo que nesta fase as contas estão todas embrulhadas: a Holanda ainda pode apurar-se, Portugal pode passar ganhando... ou perdendo.

TODAS AS CONTAS DE APURAMENTO NO GRUPO B

in Mais Futebol

Tugas conseguem vitória sofrida


Demónios vikings exorcizados pelo pé de Varela.


Silvestre Varela! Saltou do banco perto fim, resgatou a alma lusitana das cinzas depressivas, fez o golo, o abençoado golo. Minuto 86, o suspiro aliviado de toda uma nação, dez milhões de corações a bater no peito do pé direito do extremo. Portugal está na luta. 

O fatalismo já andava de braço dado com o drama. Preparavam-se para uma visita de surpresa. Varela não deixou e decepou em tempo útil a crença e a paixão vikings. O que Portugal sofreu sem necessidade, o que Portugal adiou por temer a felicidade definitiva. 

No instante em que Cristiano Ronaldo, pela segunda vez no jogo, falhou completamente isolado o golo, percebeu-se que nada de bom viria a caminho. Quase a seguir, o intrépido Nicklas Bendtner, homem viciado nos golos a Portugal, fez o 2-2 e reavivou pesadelos sem sentido. 

Faltava entrar Varela, faltava soltar o veneno que este Portugal tem e evita usar. Há muitas questões a responder, mais pormenores a solucionar mas, para já, o essencial está conquistado: Portugal jogará uma espécie de oitavos-de-final diante da Holanda. 

FICHA DE JOGO E AO MINUTO

A indefinição corrói esta equipa. Consome o otimismo, a obra feita, enferruja o ensinamento. Não há lógica na queda abrupta após o 2-0, não há sentido no adiar da tranquilidade. Até aos 36 minutos tudo morava na perfeição. 

Pepe fizera de cabeça o primeiro, Hélder Postiga silenciara num pontapé soberbo os clubes de críticos que o perseguem há anos. Portugal domava com uma facilidade assinalável a Dinamarca. Vikings? Só se fossem Vicky e respetiva tripulação, os mais amistosos dos desenhos animados. 

E, depois, lá está, a indefinição do que se pretende fazer e a condução ao erro. Pretende-se que Portugal conjugue o futebol apoiado e o jogo direto, que acaricie e golpeie ao mesmo tempo, que incorpore duas personalidades no mesmo cérebro. Confusão, bipolaridade, erro.

Num lapso defensivo sobre a esquerda, Jakob Poulsen cruzou, Krohn-Dehli surgiu nas costas de toda a defesa, o maldito Nicklas Bendtner encostou a testa à bola e reintroduziu a dúvida no jogo. 

Os portugueses, um a um

Paulo Bento tem de definir muito bem o que pretende de Cristiano Ronaldo. Tem de definir se o melhor jogador do mundo deve cumprir desígnios táticos, apoios ao lateral, compensações e afins. Sob pena de desequilibrar a equipa e quebrar um bloco que pode ser sólido. 

Não foi uma ou duas vezes, foram uma mão-cheia as subidas de Lars Jacobsen pelo corredor direito. Livre, solto, a cruzar para um golo, a assistir para outro e a deixar Fábio Coentrão completamente à sua mercê. 

Esta anarquia posicional, no processo defensivo, é tão ou mais grave do que os dois golos falhados clamorosamente. Somado tudo isto ao habitual estoicismo nórdico, a Dinamarca chegou a uma igualdade que jamais fez por merecer. 

Portugal foi sempre melhor e também incapaz de fechar a discussão da peleja mais cedo. Isto é grave. Ao invés de ser decisivo, o grande Ronaldo está a confundir a mecanização do conjunto. 

Se a seleção não ganhasse este jogo, as palavras teriam de ser ainda mais duras. O triunfo, heróico, pacifica, mas a mesa de conversações não deve ser arrumada a um canto. 

A análise aos vikings

in Mais Futebol