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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dragões: Goleada em Guimarães

O Porto de Vítor Pereira entrou na nova época como tinha acabado anterior: a marcar. Confundir o presente com o passado foi o melhor que podia fazer!

 Há quem diga que a pior coisa que se pode ter no presente é um passado feliz: depois da felicidade vem sempre algo pior. O melhor, portanto, é não ter um passado feliz. Ou não fazê-lo acabar. O F.C. Porto, este F.C. Porto, é claramente uma equipa de continuidade. A felicidade para ela é uma linha sem quebras.

Assenta nos mesmos princípios, na mesma intensidade, no mesmo pressing ofensivo, na mesma capacidade de romper pelas alas. De cabeça limpa e virada para o ataque, constrói um futebol positivo, cheio de oportunidades de golo e emoção em cada arranque de Hulk. Enfim, sabe ser feliz.

Veja a ficha de jogo e as notas dos jogadores

Como se não tivesse uma história alegre por trás, confunde o passado com presente e entra nesta época como tinha entrado na anterior: a marcar. Rolando, outra vez ele, fez o primeiro golo aos três minutos, como tinha feito no ano passado. Na altura criou ansiedade no Benfica, agora matou dúvidas.

As circunstâncias mudaram muito, é verdade, o F.C. Porto era esta noite favorito óbvio, contra a desconfiança da última época. Mas isso são coisas da nossa cabeça. No espírito da equipa a clareza de ideias e a força da vontade eram as mesmas. Talvez por isso o Vitória só ameaçou muito tarde.

Fucile: «Rolando é o melhor central que vi na vida»

A primeira, essa, foi pintada de azul. Mesmo sem Falcao, Guarín, Álvaro Pereira ou James, jogadores fundamentais, é certo, o F.C. Porto integrou bem jogadores como Souza, um dos melhores em campo, confirmou que os inícios de época são as melhores fases de Hulk e fez por merecer o triunfo.

Entrou no jogo a marcar um golaço, cheio de arte e talento, que começou num toque de calcanhar de Moutinho, continuou no centro de letra de Hulk e acabou no cabeceamento de Rolando. Um golo perfeito. Pelo meio é verdade que o V. Guimarães empatou, mas foi uma igualdade que durou oito minutos.

Rolando, outra vez ele, que assumiu esta noite um papel de figura do jogo, tratou de restabelecer as distâncias e afastar o espectro de uma surpresa. Desta vez com o pé, mas ainda ao segundo poste e solto de marcação, fez o segundo pouco antes do intervalo e garantiu um regresso tranquilo dos balneários.

Vítor Pereira: «Difícil é gerir maus jogadores»

A tranquilidade só haveria de ser colocada em causa no quarto de hora final e já depois do F.C. Porto falhar uma mão-cheia de oportunidades. Pelo meio Pedro Proença deixou passar incólume pelo menos um penalty sobre Hulk: embora haja mais dois lances na área vimaranense passíveis de discussão.

Ora com tudo isto, e como é natural, o V. Guimarães encheu-se de coragem e ameaçou o empate em duas ou três ocasiões. Foram só ameaças, porém: a justiça prevaleceu e o F.C. Porto ganhou a Supertaça Cândido de Oliveira. Vítor Pereira começa esta época como Villas-Boas tinha começado a anterior.

Para ele é um excelente sinal. Até porque a tarefa que tem é mais complicada que a de Villas-Boas: um passado feliz pode muitas vezes hipotecar-nos o futuro, lembram-se? Villas-Boas tinha todo um horizonte de possibilidades de fazer melhor à frente. Vítor Pereira não. Bem pelo contrário.

Começou por fazer igual e essa é uma grande vitória.

in Mais Futebol

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Zenit a apostar em grande?

Seguno fontes da imprensa, o Zenit da Rússia pensa apostar em grande nalguns jogadores nossos conhecidos:

- HULK - 50 Milhões

A notícia está a ser avançada pelo site russo lifesports. Zenit e FC Porto chegaram a acordo para a transferência de Hulk para o clube de São Petersburgo, a troco de 50 milhões de euros.

Uma fonte do Zenit citada por aquele site confirma o acordo e adianta que os responsáveis do campeão russo foram autorizados pela SAD portista a negociar diretamente com o avançado brasileiro.

lifesports diz que as conversações com o representante do Incrível estão já em marcha, sendo objetivo dos responsáveis do Zenit convencer Hulk a baixar as exigências salariais, estimadas em sete milhões de euros por cada ano de contrato.

O contrato de Hulk com o FC Porto, válido até junho de 2014, contempla uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, o dobro do montante que o Zenit terá oferecido à SAD presidida por Pinto da Costa, pelo passe do avançado.



- NANI - 40 Milhões

Pode estar a chegar ao fim o ciclo de Nani no Manchester United. Segundo informações provenientes da Rússia, o Zenit chegou a acordo com os ´red devils` para a contratação do internacional português, por 40 milhões de euros.

O site lifesports diz que o acordo entre os dois clubes está fechado e sublinha que Alex Ferguson não se opõe à saída do extremo.

A Direção do emblema de Old Trafford aceitou de imediato a oferta de 40 milhões de euros apresentada pelos russos, que se encontram agora em negociações com o jogador.

Nani, diz a mesma fonte, exige receber entre 9 e 10 milhões de euros por época, mais prémios, para se mudar para São Petersburgo, o dobro que o Zenit estará disposto a pagar. 

As negociações estão em curso e até ao encerramento do mercado de transferências, no próximo dia 31, poderá haver novidades.

O Zenit conta nas fileiras com os portugueses Danny e Bruno Alves.



in A Bola

Sporting empata a 1 bola em casa do Horsens da Dinamarca

O Sporting empatou hoje fora com os dinamarqueses do Horsens (1-1), em jogo da primeira mão do ''play-off'' da Liga Europa de futebol, disputado na Dinamarca.



Apesar de ter esbarrado num inspirado guarda-redes contrário, o Sporting deve a si mesmo não ter saído da Dinamarca com outro resultado, apesar de ter empatado apenas aos 79 minutos, por Carrillo, depois de Spelmann ter inaugurado o marcador aos 15. 

Os “leões” voltaram a mostrar dificuldades na concretização, com destaque para Van Wolfswinkel, que desaproveitou três excelentes oportunidades, além de problemas na construção de jogo, que apenas registou melhorias após as entradas de Labyad e Capel. 

Na defesa, a equipa portuguesa sofreu alguns calafrios, muitos dos quais por própria culpa, não só pelas muitas bolas perdidas no meio-campo, como também por alguma permissividade dos jogadores mais recuados. 

Com apenas duas alterações no “onze” em relação ao nulo com o Vitória de Guimarães, com as entradas de Schaars e Jeffren para os lugares de Gelson Fernandes e Capel, o Sporting entrou muito bem na partida, criando duas oportunidades logo nos primeiros cinco minutos. 

O holandês Ricky Van Wolfswinkel dispôs de duas flagrantes oportunidades, mas, aos três minutos, rematou por cima, e no minuto seguinte, completamente isolado, atirou à figura do guarda-redes Ronnow. 

Se os minutos iniciais mostravam um Sporting dominador e que aparentemente não teria dificuldades de maior para bater os dinamarqueses, um bem organizado e sólido Horsens demonstrou rapidamente que o jogo não seria fácil para os lusos. 

Depois de um primeiro aviso aos 12 minutos, o Horsens chegou mesmo à vantagem três minutos volvidos, aproveitando a passividade de Insua, que deixou passar Fagerberg, e dos centrais, ultrapassados por Spelmann, que bateu Rui Patrício. 

O Sporting ficou intranquilo com o golo contrário, perdendo muitas bolas, e só conseguia ameaçar de bola parada ou por uma ou outra arrancada do seu lado direito, onde Cedric e Carrillo se mostravam os mais inconformados. 

Na segunda parte, o Sporting voltou a entrar melhor, mas deparou-se com um praticamente intransponível Ronnow, que, aos 50 minutos, evitou o golo de Rojo com uma extraordinária defesa. 

Contudo, mais uma vez, o Horsens aproveitou bem algumas debilidades defensivas do Sporting e criou duas grandes oportunidades de golo, primeiro num remate de Fagerberg ao poste e depois num lance em que Retov não aproveitou o facto de a baliza contrária estar deserta e demorou muito para rematar, permitindo a defesa a Rui Patrício. 

Com as entradas de Labyad e Capel, a equipa “leonina” melhorou, mas Ronnow ia evitando o golo, primeiro fazendo bem a mancha frente a Van Wolfswinkel (72 minutos) e depois parando um tiro de Labyad (74). 

Acabariam por ser estes dois jogadores a fabricar o tento do empate, com Labyad a lançar Capel pela direita, descompensando completamente a defesa contrária, com o espanhol a passar para Carrillo, que, só na cara de Ronnow, não desperdiçou. 

Ficha do jogo: 

Jogo disputado no Horsens Arena, em Horsens (Dinamarca). 

Horsens – Sporting, 1-1. 

Ao intervalo: 1-0. 

Marcadores: 

1-0, Spelmann, 15 minutos. 
1-1, Carrillo, 79. 

Equipas:

Horsens:
 Ronnow, Nohr, Morten Rasmussen, Agesen, Kortegaard, Kielstrup, Retov, Drachman, Klove (Bjerregaard, 86), Fagerberg (Hajdarevic, 75) e Spelmann. 

(Suplentes: Veselovsky, Aslam, Smedegaard, Jakob Rasmussen, Bjerregaard, Toft e Hajdarevic). 

Treinador: Johnny Molby. 

Sporting: Rui Patrício, Cedric, Bouhlarouz, Rojo, Insúa, Elias (André Martins, 78), Schaars (Labyad, 58), Adrien, Jeffren (Capel, 66), Carrillo e Van Wolfswinkel. 

(Suplentes: Marcelo Boeck, Daniel Carriço, Xandão, Capel, Labyad, André Martins e Gelson Fernandes). 

Treinador: Ricardo Sá Pinto. 

Árbitro: Antony Gautier (França). 

Ação disciplinar: Nada a assinalar.


in Futebol 365

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sporting de Braga e Udinese empatam na Pré da Champions

O Sporting de Braga e a Udinese empataram hoje  a uma bola, na primeira mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões de futebol, adiando a decisão do apuramento para daqui a uma semana, em  Itália. 
A Udinese adiantou-se no marcador ainda na primeira parte, e contra a corrente do jogo, por Basta, que cabeceou sem oposição após um livre do internacional italiano Di Natale (23 minutos), mas os bracarenses empataram com um golo fabuloso de Ismaily, com um potente remate a cerca de 35 metros da baliza adversária (68). 
O empate penaliza a ineficácia da turma comanda por José Peseiro e premeia o conhecido pragmatismo das equipas italianas.  
 
Pelo que jogou, o Sporting de Braga merecia ter ganho o jogo, mas a exibição de hoje também lhe permite ter esperanças em arrancar um resultado positivo em Itália, dentro de uma semana e o tão desejado apuramento.
  

Fase de grupos garante 10,7 milhões de euros

As duas equipas já assumiram ser fundamental a passagem à fase de grupos da Champions, que garante desde logo a entrada nos seus cofres de 10,7 milhões de euros (2,1 pela participação no "play-off" mais 8,6 pelo apuramento).
 
Do "onze" que iniciou o jogo com o Benfica (2-2), da primeira jornada da I Liga, saiu Rúben Amorim e entrou Hélder Barbosa.  
 
O Sporting de Braga entrou muito bem em jogo, muito rápido a trocar a bola e com Mossoró em grande destaque. 
 
Aos 21 minutos, o Braga esteve perto de inaugurar o marcador: grande jogada com Hugo Viana a assistir Douglão na "cabeça" da área, o central brasileiro deixou a bola passar com uma grande simulação, abrindo as pernas, e remate de Paulo Vinícius para uma grande defesa de Brkic (21). 
 
Alan tinha avisado na antevisão da partida para o cinismo das equipas italianas e essa característica voltou a evidenciar-se pouco depois e pode ser determinante na eliminatória já que, contra a corrente do jogo, marcou. Livre de Di Natale e Basta, antecipando-se a Salino, cabeceou sem hipóteses para Beto, aos 23 minutos.
 

"Bomba" de Ismaily

A equipa minhota entrou em campo depois do intervalo com vontade de inverter a situação e Custódio (50 minutos) e Ismaily (58) deixaram os primeiros avisos. 
 
Contudo, foi a Udinese a estar muito perto de voltar a marcar, mas Beto esteve em grande plano ao defender primeiro o cabeceamento de Pinzi e a seguir a recarga de Di Natale (61). 
 
Mas esse lance foi a exceção à regra, pois o Braga voltou ao comando da partida de imediato e chegaria mesmo ao empate pouco depois. 
 
Com espaço à sua frente, Ismaily desferiu uma autêntica "bomba" a cerca de 35 metros da baliza adversária, a bola ainda embateu na barra, não dando qualquer hipótese de defesa. 
 
Depois do golo bracarense, que veio conferir justiça ao jogo praticado por ambas as equipas, Rúben Micael (77 minutos) - excelente entrada em jogo do ex-FC Porto - e Lima (85) ainda obrigaram Brkic a empenhar-se, mas o resultado manteve-se.
A segunda mão disputa-se em Udine, em Itália, na próxima terça-feira, às 19h45.

in Expresso

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Campeão Nacional não convence em Barcelos

Em Barcelos há um especialista a caçar dragões.

 A Liga 2012/13 só começou no papel para o F.C. Porto. O filme é o mesmo visto várias vezes ao longo da época passada e que, apesar de ter corrido bem na Supertaça, não voltou a ter final feliz. Entrada amorfa, futebol pouco esclarecido, dois pontos perdidos. Onde no ano passado ficaram três e onde há dois anos, na Taça da Liga, o F.C. Porto também não passou. O Gil Vicente está especialista a caçar dragões.

A tarde era de muito calor e o F.C. Porto entrou para não suar muito. Talvez até nem precisasse, já que o Gil Vicente, que apareceu em campo, estranhamente, com apenas 17 jogadores na ficha de jogo, levou para o relvado uma missão acima de todas as outras: defender. Na primeira parte foi assim. Na segunda não mudou muito. Mas ninguém soube contrariar.

Com o Gil lá atrás, à espera de um contra-ataque milagroso, o resto cabia ao F.C. Porto. Tão natural como a sua sede, já dizia o anúncio. Esperado, quase obrigatório. Mas faltou pimenta ao ataque portista. Havia mais F.C. Porto, mas faltava um F.C. Porto organizado. O jogo começou assim, continuou assim e acabou assim. Perto do fim, houve a natural tentativa desesperada dos bicampeões nacionais. Mas o desespero quase nunca é bom conselheiro.

Os destaques do encontro

Lucho Gonzalez e João Moutinho, que voltou ao onze, como se esperava, e ainda trouxe Hulk, tentaram colocar a casa em ordem. Fernando era mais um espectador, mas com lugar privilegiado, até sair para entrar Kléber, já na segunda parte. O ataque, esse, era o menos feliz dos sectores.

James pouco ou nada inspirado, Jackson ainda a aprender e Hulk para o resto. Só Hulk. Sempre ele, como se tivesse sido chamado para matar as saudades dos adeptos. Correu, rematou, mostrou alguns pormenores do costume, misturou-os com erros de início de época. Tentou, como sempre.

Ficar à espera continua a não resultar

Entrar mal no jogo nem é uma novidade para o F.C. Porto de Vítor Pereira. Uma tecla tão batida na temporada passada que continua a ser incompreensível como não gasta de vez. É verdade que a bola esteve quase sempre do lado azul e branco, mas também é certo que quase nunca foram tomadas as melhores opções com ela.

O F.C. Porto parecia esperar o que o jogo poderia dar. Como em tantas outras ocasiões. Não sossegou os adeptos, não quis resolver cedo. Arriscou e foi permitindo que o Gil respirasse, naquele estilo em bloco.

Na primeira metade salvou-se um remate de Lucho e outro de Hulk que Adriano, o melhor em campo, defendeu com segurança. Na segunda, mais do mesmo. Hulk em força, Hulk em jeito. Adriano sempre lá. Kléber ainda contornou o guardião, mas não teve espaço para mais. Jackson teve o golo na cabeça, mas não repetiu Aveiro.

FICHA DE JOGO

O tempo passava, Paulo Alves refrescava o ataque e fazia o que parecia impossível até lá: cheirava o golo. Primeiro Pedro Pereira, depois Luís Carlos. Ambos ao lado, mas não muito. O melhor que se viu da equipa barcelense que ainda precisa remendar alguns setores, mas entrou já com um bom balão moral. No ano passado foi assim e foi o que se viu.

Para o F.C. Porto fica o aviso: é preciso mais. Tem de haver mais. A oportunidade de começar a Liga na frente de Benfica e Sp. Braga ficou para trás. Resta perceber se a capacidade de resposta que valeu um título na época passada continua pelos lados do Dragão.

in Mais Futebol

Sporting não vaai além de um empate a 0 com Guimarães

Alimentar a paixão e sofrer com isso: a sina do leão.

  As emoções alimentam, mas não realizam. Agitam, mas não esclarecem. Este Sporting guia-se por um admirável instinto de sobrevivência, sem perceber, porém, que a felicidade está nos detalhes subtis e não nos clamores públicos de paixão.

O nulo de Guimarães é o espelho de uma relação complexa, caótica até, com a vitória. A pressa de tê-la, de possuí-la o quanto antes, afugentou-a para paradeiro desconhecido. O Sporting terá esquecido as mais elementares regras de atração pelo jogo, os mais sórdidos jogos de prazer com a bola e com o golo.

São demasiados anos de rejeição, épocas a mais de desejar e perder. Só isso pode explicar a abordagem desequilibrada, ansiosa, ainda que repleta de boas intenções, a esta Liga. O Sporting não ganhou em Guimarães por excesso de sangue, adrenalina e testosterona.

Basta olhar para o banco - e alucinar com o esbracejar convulsivo [e dispensável] de Sá Pinto - para testemunhar o tanto que o Sporting quer ganhar e o tanto que sofre para lá chegar. Ainda por cima, sem lográ-lo. Não há auto-estima que resista.

FICHA DE JOGO e AO MINUTO

A secura de resultados é bem capaz de conduzir ao esgotamento psicológico. O Sporting pode evitá-lo, aparenta até ter condições materiais para isso. Basta procurar ajudar, encontrar respostas lógicas, um caminho que faça sentido. Este modus-operandi, concebido por Sá Pinto, privilegia o ardor em detrimento da inteligência.

O Vitória, bastante mais ciente do que pode e sabe, teve esse lado do conhecimento. Foi mais inteligente, reconheceu o primarismo das suas ações e chegou onde queria. Fez o seu jogo, portanto, conduzindo da melhor maneira as armas que tinha. E eram, de longe, bem mais modestas do que as do oponente.

Oportunidades de golo? Poucas, quase nenhumas. Mais posse de bola? Do Sporting, pois claro, principalmente na derradeira meia-hora. Justiça no resultado? Sim, é aceitável, no seguimento da ideia que esta crónica defende.

Os Destaques: Defendi, exemplar

Houve bons sinais no processo defensivo, com Bouhlarouz e Rojo a cumprirem perfeitamente, mas preocupações no ordenamento do meio-campo e no apagão de Adrien Silva. Carrillo durou pouco, Capel foi intermitente e Van Wolfswinkel mal se viu entre Defendi e N'Diaye.

Não sabemos se por opção ou se por contingência, o Sporting renega a felicidade para visar o êxito. A equipa não é ditosa com a bola nos pés (daí o sacrifício de Adrien e depois de André Martins) e torna-se insuportável sem ela. Prefere o esgar e desvaloriza o sorriso na busca do bem maior, do Santo Graal que é o título nacional e o reconhecimento generalizado.

Por muito paradoxal que isto possa parecer, o Sporting empenha-se em agradar aos outros, sem nisso encontrar prazer. Há exemplos que contrariam e esmagam esta teoria mas, em boa verdade, só o futuro nos dirá se é Sá Pinto que tem razão.

Do nosso ponto de vista, pode-se vencer de outra maneira e, sobretudo, sobreviver de outro modo. 

in Mais Futebol

Benfica e Braga empatam (2-2)

Salvio e Melgarejo nos extremos de uma montanha russa.

 O Benfica manteve o hábito de oito anos sem ganhar nas estreias na Liga, empatando na Luz diante de um Sp. Braga personalizado. Num jogo intenso, e cheio de voltefaces, Salvio e Rodrigo foram os protagonistas encarnados pela positiva. Duas infelicidades de Melgarejo, a aposta de Jorge Jesus para lateral esquerdo, equilibraram os pratos da balança e permitiram ao novo Sp. Braga passar num teste exigente, antes da luta pela Champions.

A colocação de Rúben Amorim como ala esquerdo, para travar as subidas de Maxi, foi a meia surpresa preparada por Peseiro na inauguração pública do Braga. E os primeiros 15 minutos confirmaram que as novidades nos minhotos não se resumiam ao verde da camisola, mas estendiam-se aos períodos prolongados de posse e domínio no meio-campo do Benfica. Com Mossoró a fazer pontes entre médios experimentados, adeptos de pensar antes de correr, o visitante chamou a si as melhores ideias e retardou em 15 minutos a entrada do Benfica na Liga 2012/13.

Até aí, a equipa encarnada destacara-se mais pelos inúmeros passes perdidos em fase de construção ¿ tornando gritante a falta de um médio vocacionado para descobrir atalhos no plano de Jorge Jesus. Estavam dois no banco, Aimar e Martins, mas só um entrou em cena. E muito, muito tarde.

Salvio, o despertador

Já depois de Lima ter obrigado Artur à primeira defesa, foi um remate de Witsel a chamar Beto ao jogo, arrancando os primeiros aplausos na Luz. Sem resolver os problemas estruturais, e dando muitas vezes a sensação de jogar mais em força do que em jeito, o Benfica começou a equilibrar a balança graças à qualidade individual de alguns jogadores.

Salvio, com a cumplicidade ativa de Rodrigo, estava nas melhores ações encarnadas. Ora obrigava Beto a defesa apertada (19 m), ora rasgava um passe que punha Bruno César na cara do golo para um remate ao lado (43 m). O lance prometia uma segunda parte em crescendo para os encarnados, e a promessa pareceu cumprir-se quando o extremo contratado ao At. Madrid apareceu no sítio certo para concluir um cruzamento de Rodrigo, a que Cardozo não chegou (49 m).

O pesadelo de Melgarejo

Nessa altura, o golo dava tradução lógica ao crescimento do Benfica e premiava o seu protagonista. Mas os prolemas de organização e de improviso na equipa encarnada punham qualquer lógica em causa. Sete minutos depois, numa entrada de Ismaily pela esquerda, Melgarejo, que até aí tinha feito pela vida, procurando não cometer erros grosseiros, calculou mal o tempo de entrada e bateu Artur com uma cabeçada fulminante.

Um jogador mais rotinado na função teria tido o mesmo tipo de infelicidade? A pergunta pode ser retórica, os seus efeitos não o foram. O Benfica desorganizou-se e perdeu confiança. E o seu lateral improvisado acentuou o desastre, com um mau alívio para os pés de Alan. O cruzamento remate do brasileiro encontrou Mossoró sem marcação, e em posição legal, para bater Artur (63 m).

Aimar, tão tarde

O 1-2 acentuava os ares de pesadelo tão familiares às estreias do Benfica na Liga. Mas a montanha russa de emoções ainda teria tempo para um derradeiro volte face. Trouxe-o o tal médio, que pensa mais do que corre, e que ajudou a estancar as inseguranças do Benfica. Dois minutos depois de estar em campo, Aimar apontou um livre lateral. A cabeçada de Luisão foi desviada pelo braço de Custódio, e Soares Dias assinalou penalti (bem) e mostrou o segundo amarelo a Douglão (mal).

Cardozo não falhou, embora Beto ainda tivesse tocado na bola, e o Benfica partiu para 20 minutos de assalto, perante um adversário reduzido a dez e já sem soluções para fugir ao cerco. Aí, as emoções mandaram mais do que o resto, e o Sp. Braga abdicou de bola, procurando de todas a formas que o relógio jogasse a seu favor. Conseguiu-o, e ninguém poderá dizer que não fez por merecer o prémio. Tal como o Benfica terá de olhar para si próprio e reconhecer que fez muito para ser infeliz e manter o enguiço das estreias.

 in Mais Futebol