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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dragões batem PSG com James a fazer a diferença

Os poderes especiais de James vergam o robô sem alma.

Um ato de justiça, um manifesto anti-petrodólares. O novo-riquismo esmigalhado, a prova romântica de que o futebol ainda pertence aos génios. Mais, muito mais, do que aos euros provenientes da excentricidade de bilionários de outros mundos. 

O triunfo do F.C. Porto perante o puzzle de peças soltas do PSG é o triunfo da organização, da estabilidade, da consciência. No Dragão os protagonistas foram humanos, o esforço terreno e a inspiração mágica. 

A projetar esta imagem envolta em maniqueísmo, o menino James Rodríguez. Aquele golo aos 82 minutos, quando a lucidez já dera lugar ao instinto e a inteligência à emoção, revela uma outra vez o quão especial é este colombiano. 

Veja o golo de James e o resumo do jogo

Não tardará até que este talento seja elevado ao sétimo céu. Críticos, escritores, jornalistas, poderão um dia dizer (ou escrever) que viram James Rodríguez jogar futebol. No mesmo tom e com a mesma bendição com que outros viram Rudolf Nureyev dançar ou Maria Callas cantar. 

James Rodríguez é um génio, um portento. A forma como encosta o pé esquerdo e dá a curva perfeita à bola, já tão perto do fim, está ao alcance somente dos predestinados. O lance teve tanto de belo como de justo. 

Só o F.C. Porto merecia ganhar e isolar-se no Grupo A da Liga dos Campeões. 

FICHA DE JOGO E NOTAS 

Reduzir a exibição convincente do F.C. Porto a James é, porém, redutor. Fernando e João Moutinho foram gigantescos e catapultaram a equipa para uma ofensiva maciça sobre as linhas recuadas dos franceses. 

O PSG apareceu convencido, numa abordagem mesquinha e sem sangue. Apresentou-se na pele de rico e jogou como um pobre demasiado tempo. Estendeu o chapéu ao jogo, num misto de vénia conquistadora e pedido de esmola. Sem efeito. O dragão virou-lhe a cara.

Não foi de cantigas o Porto, não caiu no canto do bandido, elegante e traiçoeiro. Pouco se viu deste PSG, de resto. A desenvoltura de Chantôme, o talento intermitente de Ibrahimovic e o muito medo dos demais. Para a alta roda do futebol, o camião cheio de notas ainda é insuficiente. 

O PSG pareceu vezes a mais um autómato, um ser maquinal e sem alma. Claro que a qualidade existe e tem unidades de grande categoria. De quando em vez, um ou outro pormenor dão um sopro de vida e humanismo ao conjunto, mas esses lances são a exceção na regra fria e robótica. 

Não é disto que o futebol precisa. 

Os Destaques dos dragões

Com o mal gaulês pode bem o F.C. Porto. Após muitas tentativas falhadas, quase já em desespero, os azuis e brancos canonizaram a exibição no tal instante superlativo de James Rodríguez. 

Podiam e deviam ter antecipado o suspiro de alívio. A melhor das oportunidades foi servida por João Moutinho a Varela, à passagem do minuto 60. O extremo surgiu completamente isolado e só conseguiu atirar a bola contra Salvatore Sirigu. 

Não foi a primeira claríssima oportunidade de golo, mas foi a melhor. Antes, também dois remates de João Moutinho, um de James e ainda outra hesitação de Jackson deixaram o Dragão de mãos na cabeça e coração aos solavancos. 

Teria de ser um auto de fé, uma manobra de heroísmo a resgatar toda esta gente de uma onda pessimista. Ver este jogo nas mãos do maquinal PSG é imaginar Gotham ou Metrópolis cerceadas pela lei da bandidagem . 

James pode ainda não ser um super-herói, é verdade, mas tem no seu pé esquerdo um poder especial. Levou o F.C. Porto ao clímax e fez disso uma questão de justiça. 

Por isso soube a glória.

in Mais Futebol

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